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Ciente
desse importante papel assumido pelas mulheres no meio rural, o
Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), por meio da Diretoria
de Políticas para Mulheres Rurais (DPMR), vem desenvolvendo três
programas com ações dirigidas às mulheres - o de Documentação da
Trabalhadora Rural, de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater)
especializada para mulheres e o de Organização Produtiva das
Mulheres.
O
primeiro passo para possibilitar o acesso da mulher às políticas
públicas é a documentação. Com os documentos, a mulher pode
assegurar seus direitos. “Em 2012 a previsão é de que sejam
realizados 1,1 mil mutirões de documentação”, afirma a
coordenadora de acesso à terra e cidadania da DPMR, Márcia Riva.
“Destes mutirões, 700 serão para atender o público do Plano
Brasil Sem Miséria, priorizando as pessoas que vivem na extrema
pobreza”, conclui.
Os
mutirões são realizados dentro do Programa Nacional de Documentação
da Trabalhadora Rural (PNDTR), executado pelo MDA e pelo Instituto
Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), autarquia
vinculada ao MDA. Os mutirões itinerantes ocorrem sempre em locais
próximos à moradia das trabalhadoras rurais, onde são emitidos,
gratuitamente, documentos civis e trabalhistas.
O
trabalho também inclui o repasse de informações para estas
pessoas, que são orientadas sobre a importância da documentação
para a mulher, o uso e a conservação do material, bem como as
maneiras de ingressar em políticas públicas para a agricultura
familiar.
Em
2012, a exemplo do trabalho iniciado no ano passado, os mutirões vão
emitir também a Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de
Fortalecimento da Agricultura Familiar (DAP), além do bloco de notas
fiscais que permite a comercialização da produção. “O documento
é a porta de entrada da trabalhadora para todos os benefícios da
cidadania. A partir dele, a mulher tem acesso a todas as políticas
públicas”, explica a coordenadora geral de Acesso à Terra e
Cidadania da DPMR, Isolda Dantas.
Expresso
Cidadã
O
programa conta com 24 unidades móveis para emitir registros de
nascimento, identidade, cadastro de pessoa física (CPF), carteira de
trabalho e previdência social, DAP e o bloco de notas fiscais. Os
ônibus, chamados de “Expresso Cidadã”, são adaptados para
levar cidadania para as mulheres que residem em lugares de difícil
acesso, onde a população enfrenta maiores dificuldades no
transporte e acesso à documentação. Um dos desafios a ser superado
em 2012 é o acesso a localidades onde só dá pra chegar de barco, o
que será possível com unidades móveis aquáticas, além das
terrestres – um projeto em andamento.
Desde
a criação, em 2004, o PNDTR já realizou 3.344 mutirões em 3.553
municípios, atendendo a 830.500 mulheres com a emissão de 1.783.500
documentos. Entre eles, a carteira de identidade e o CPF de Tuani da
Conceição Silva, trabalhadora rural da comunidade Pé Leve, no
município de Limoeiro, em Alagoas.
Em
julho de 2011, aos 19 anos, Tuani recebeu seus documentos por meio do
programa. “As pessoas passam a existir depois de tirar o documento.
Eu só tirei a certidão de nascimento depois de grande, e mesmo
assim ainda não tinha carteira de identidade e CPF”, conta. Tuani
é mãe de uma menina de dois anos, com quem mora junto com a mãe e
três irmãos numa casa de dois cômodos. O trabalho na plantação
de cana, fumo, mandioca e feijão garante a renda da família.
“Agora, eu posso até pedir o auxílio-maternidade”, comemora.
Ater
para Mulheres
Uma
vez que recebem os documentos, as mulheres rurais estão aptas a
ingressar nas políticas públicas que podem trazer mais benefícios.
É aí que entra outra política desenvolvida pelo MDA, a Assistência
Técnica e Extensão Rural (Ater) especializada para mulheres. Assim
como a documentação, os serviços de Ater são essenciais para
resolver os problemas mais imediatos da trabalhadora. Em 2004, a
Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural
(Pnater) passou a contar com uma política setorial de Ater para as
mulheres com objetivo de fortalecer a organização produtiva de
mulheres, promover a produção de base ecológica e ampliar o acesso
delas às políticas públicas de produção e comercialização.
“As
ações estão interligadas e funcionam em ciclo”, explica a
coordenadora geral de organização produtiva e comercialização da
DPMR, Analine Specht. “As políticas visam reforçar a importância
da mulher como agricultora”, assinala. No meio rural, a diferença
de renda entre homens e mulheres é maior do que no meio urbano.
Enquanto o rendimento deles é de cerca de R$ 70, o delas fica em
torno de R$ 9. Isto se deve ao fato de que às mulheres do campo em
geral cabe o trabalho doméstico, criação de animais, plantio para
consumo da família e outras atividades produtivas, porém não
remuneradas.
A
partir do processo de seleção via chamadas públicas, as equipes de
Ater para Mulheres vão a campo ofertar os serviços de assistência
técnica por meio de oficinas, palestras e outros serviços de
capacitação e qualificação da produção das trabalhadoras. Elas
são incentivadas a se inserir nas atividades produtivas e
remuneradas. “As chamadas de Ater mista costumam ser para toda a
família, quando, na maioria das vezes, quem vai participar das
atividades é o homem, o pai, o marido, o irmão. Por este motivo, a
Ater para Mulheres tem um foco individual, atendendo somente as
demandas das mulheres”, complementa Analine.
Até
2011, foram financiados 106 projetos, totalizando um investimento no
valor de mais de R$ 19 milhões, que beneficiaram mais de 52 mil
mulheres.
Depoimento
Tatiana Muniz Siqueira, pescadora do município de Tibau, no interior do Rio Grande do Norte, considera os serviços de Ater para Mulheres decisivas para a construção da autonomia das trabalhadoras da região. “Muitas das mulheres da comunidade não tinham noção de como administrar suas produções. Tivemos acompanhamento na produção da polpa de fruta, nas hortas e na pesca”, conta.
Tatiana Muniz Siqueira, pescadora do município de Tibau, no interior do Rio Grande do Norte, considera os serviços de Ater para Mulheres decisivas para a construção da autonomia das trabalhadoras da região. “Muitas das mulheres da comunidade não tinham noção de como administrar suas produções. Tivemos acompanhamento na produção da polpa de fruta, nas hortas e na pesca”, conta.
Para
Tatiana, o serviço auxiliou a organização e o crescimento da
Cooperativa Tibauense de Pescados, onde trabalha. A chamada
Cootipesca, composta de 20 sócias, nasceu quando mulheres de
pescadores perceberam que podiam aproveitar os pescados que se
perdiam na produção da família. A partir daí, passaram a produzir
iscas, linguiça, almôndegas, petiscos e até hamburger de peixe.
Hoje elas vendem para todo o município e para fora, além de estarem
inseridas no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), por
meio do qual as prefeituras compram a produção da cooperativa, que
vai direto para a merenda escolar das crianças da rede pública de
ensino.
“É
um avanço e tanto para quem antes não saía de casa por não ter
com quem deixar os filhos. Hoje, a maioria já tem essa liberdade”,
compara Tatiana. A socialização do trabalho do cuidado com as
crianças é uma conquista importante alimentada pelos projetos de
Ater para Mulheres. Em todas as atividades realizadas, a chamada
oferece obrigatoriamente recreação infantil, para que o cuidado com
os filhos não impeça as mães de participar. “Claro que é
difícil tirar uma mulher de dentro de casa o dia todo, mas por
metade do dia a gente já consegue”, comemora Tatiana.
Organização
Produtiva
Com
o apoio das políticas do MDA, grupos produtivos, cooperativas e
organizações compostas por mulheres, como a Cootipesca, têm a
possibilidade de crescer também incentivados pelo Programa de
Organização Produtiva das Mulheres Rurais (POPMR).
O
objetivo é fortalecer as organizações produtivas de trabalhadoras
rurais, garantindo o acesso das mulheres às políticas públicas de
apoio à produção e comercialização, a fim de promover sua
autonomia econômica e incentivar a troca de informações,
conhecimentos técnicos, culturais, organizacionais e de gestão,
valorizando os princípios da economia solidária e feminista. Desde
a sua criação, em 2008, cerca de nove mil grupos com a participação
de mulheres foram identificados pelo POPMR. Mais de 128 mil mulheres
foram beneficiadas com um investimento de mais de R$ 31 milhões.
Além
da organização produtiva, em 2012, um dos principais focos da
DPMR/MDA será a comercialização. O acesso gratuito aos mecanismos
que facilitem o comércio por meio de políticas como o PNAE e o
Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) é uma meta para este ano.
“A ideia é que a gente possa fomentar junto aos governos estaduais
a disponibilização de notas fiscais gratuitas para as mulheres
rurais”, explica Márcia Riva. “Desta forma, podemos estimular a
comercialização das mulheres por meio das compras públicas”
completa.
Agenda
No Dia Internacional da Mulher, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) construiu uma agenda que reafirma as políticas públicas para o acesso à cidadania e autonomia da mulher rural, em reconhecimento à sua história de luta e de trabalho. Nesta terça (06) acontece a Conferência Nacional Temática de Ater para Mulheres. Participam do evento a Rede Temática de Ater para Mulheres e o Comitê de Políticas Públicas para Mulheres Rurais do Condraf.
No Dia Internacional da Mulher, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) construiu uma agenda que reafirma as políticas públicas para o acesso à cidadania e autonomia da mulher rural, em reconhecimento à sua história de luta e de trabalho. Nesta terça (06) acontece a Conferência Nacional Temática de Ater para Mulheres. Participam do evento a Rede Temática de Ater para Mulheres e o Comitê de Políticas Públicas para Mulheres Rurais do Condraf.
A
conferência temática busca intensificar o diálogo sobre a
assistência técnica na promoção da igualdade de gênero,
especialmente no reconhecimento do trabalho das mulheres rurais e o
estímulo à sua inclusão econômica, assim como mobilizar as
trabalhadoras rurais para participarem dos processos preparatórios à
Conferência Nacional de Ater, a ser realizada pelo MDA no próximo
mês de abril.
Na
quarta-feira (07), como referência à data comemorativa, o MDA e a
Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM) assinarão Acordo de
Cooperação pela Cidadania e Autonomia das Mulheres Rurais com os
Estados de Alagoas, Acre, Bahia, Paraíba e Rio Grande do Sul. Essa
parceria tem como objetivo promover o desenvolvimento da agricultura
familiar por meio de projetos que contribuam para o fortalecimento de
organizações produtivas de mulheres rurais.
O
Acordo de Cooperação integra dois programas do MDA – o de
Organização Produtiva de Mulheres Rurais e o Programa Nacional de
Documentação da Trabalhadora Rural. Serão implantadas ações
integradas nos estados para garantir às mulheres rurais o acesso à
cidadania, a autonomia econômica e a prevenção e assistência à
violência doméstica.
A
meta do MDA é beneficiar 50 mil mulheres num prazo de dois anos.
Documentos, acesso à terra, assistência técnica, organização
produtiva e crédito são alguns dos instrumentos que o MDA utiliza
para reforçar o reconhecimento dos direitos das mulheres no meio
rural e reparar a desigualdade de gênero no país.
Foto: Cleiton Parente/MDA
Fonte: http://www.mda.gov.br/portal/noticias/item?item_id=9375089
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